Automóvel Poupança

Alternativas aos transportes públicos e ao transporte próprio (e respetivos preços)


A mobilidade em Portugal tem dado que falar nos últimos tempos. Se por um lado temos uma CP a anunciar greves e adiamento de investimentos, por outro tem havido um esforço genuíno por parte das câmaras em oferecer alternativas de deslocação aos habitantes das cidades. Conheça aqui algumas dessas alternativas e que peso tem cada uma delas no seu orçamento mensal em transportes.

Mobilidade em Portugal é sinónimo de atraso

No que diz respeito à mobilidade em Portugal, a CP tem sido alvo de preocupação nestes dois últimos meses. Desde notícias de greves, do adiamento dos investimentos, à recusa de Espanha em alugar mais comboios, passando agora por novas promessas de melhoria dos serviços a partir de Outubro.

A verdade é que os portugueses têm dificuldade em confiar em pleno nos serviços de transportes públicos à sua disposição por vários factores, o que resulta no domínio do automóvel nas deslocações, com taxas de 68% na Área Metropolitana do Porto e 59% em Lisboa, sendo que uma taxa superior a 50% é um número desajustado para uma cidade europeia e sinal de atraso. Segundo Paulo Pinho, director do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), “Quanto menos desenvolvida é uma cidade maior é o peso do transporte privado nas deslocações.”

Não será coincidência, então, que na Dinamarca 26% de todas as viagens de extensão igual ou inferior a 5 km sejam efectuadas por bicicleta. O uso deste meio de transporte constitui ainda 16% de todas as viagens diárias. Comparativamente, 44% dos agregados familiares na Dinamarca não possuem um carro, mas 9 em 10 dinamarquesas possuem um bicicleta.
Por cá, têm sido feito esforços no sentido de incentivar os portugueses a abandonarem ou, pelo menos, a minimizarem o uso do automóvel. Nas cidades de Leiria e de Lisboa, por exemplo, existem sistemas inovadores de partilha de longa duração de bicicletas elétricas.

Fotografia: Paul Wasneski, via Flickr

Alternativas ao transporte próprio

Façamos então um pequeno exercício de comparação de preços dos três tipos de transportes mais utilizados pelos moradores da cidade de Lisboa nas suas deslocações diárias casa-trabalho-casa num total de 20 quilómetros diários.

 

Meio de transporte Preço/mês Observações
Automóvel 86,24€ Renault Clio 1.5 dCi Dynamique, de junho de 2015, com 90 CV, caixa manual e a diesel.
Transportes públicos – passe mensal Navegante urbano – 36,70€

Carris, Metro, CP (percursos urbanos)

 

Navegante rede – 43,25€

Carris, Metro, CP (urbano + linhas de Sintra, Cascais e Azambuja)

Tipo de passe “normal”; preços sem descontos de 3º idade ou de estudante.
GIRA – Bicicletas de Lisboa 15€/mês → 2 viagens de 44 minutos em bicicleta eléctrica = 0,40€

 

25€/ano (residentes)

Bicicletas clássicas e eléctricas. Também é possível alugar diariamente.
Lime – Trotinetas Elétricas 1€ para alugar 1 trotinete + 0.15€/minuto

 

Por 30 minutos diários, ao fim de 22 dias = 99€

Dependendo do tempo de deslocação, poderá ser uma opção mais cara para utilizações diárias.

Boa opção para deslocações curtas/esporádicas.

É claro que, para além destes três exemplos de transportes, existem ainda outras alternativas mais pontuais, como é o caso de Táxis, Uber, Bolt (ex-Taxify) e serviços de Carpooling e Carsharing. Um exemplo recente e cada vez mais popular é a eCooltra, um serviço de scooters partilhadas que têm a vantagem de não terem estações fixas, ao contrário do que acontece com as bicicletas GIRA. Ou seja, são opções de transporte cujo uso frequente não se traduz em poupança financeira, mas sim em poupança de tempo, um bem cada vez mais precioso nos tempos que correm. No caso de não ser possível abdicar do transporte próprio nas deslocações diárias, a mota é uma opção mais económica que o automóvel.

Fotografia: @limebike

Porém, o que pretendemos com este artigo não é apenas trazer-lhe números que se traduziriam em poupanças mensais significativas (embora seja uma consequência vantajosa), mas sim abrir o diálogo relativamente à necessidade de um esforço consciente por parte de todos nós – portugueses – de forma a construirmos um país com uma melhor rede de transportes públicos (e só utilizando os mesmos poderemos fazer algo nesse sentido) e poderosas alternativas ao uso do automóvel nas cidades, reduzindo trânsito, emissões de CO2 e, consequentemente, aumentando a qualidade de vida de todos nós.

 

“Uma cidade tem êxito não quando for rica, mas sim quando o seu povo estiver feliz. Criar ciclovias e passeios públicos mostra respeito pela dignidade humana. Estamos a dizer às pessoas “Tu és importante – não por seres rico, mas por seres humano”. Se tratarmos as pessoas como especiais, sagradas até, elas portam-se da mesma maneira.”

– Guillermo Peñalosa, antigo Comissário para os Parques, o Desporto e a Recreação da Cidade de Bogotá, na Colômbia.

 

Se gostou deste artigo, leia também as nossas quatro soluções eficazes para partilhar transporte e poupar.

Foto de destaque: @camaradelisboa

Sobre o autor

Catarina Alves de Sousa

Formada em Comunicação, Cultura e Jornalismo, co-fundadora dos projectos Bloggers Camp e do Blogging for a Cause. Autora do blog Joan of July e autora do livro “Licenciei-me… e agora?”

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