Automóvel Poupança

Quatro soluções eficazes para partilhar transporte e poupar

Written by Gisela Marques

Vive ou trabalha em Lisboa? Já deve ter reparado que a cidade está cheia de motos e bicicletas que antes não via. Nomes como Gira ou eCooltra passaram a fazer parte do dia-a-dia. A economia da partilha – o conceito que está na moda – está a ganhar terreno, ajudando-nos a poupar na carteira, no ambiente e na saúde. Hoje fazemos as contas e falamos de algumas aplicações móveis e sistemas de partilha e nos melhores argumentos para escolher esta opção.

Para além dos preocupantes níveis de Co2 na atmosfera e das alterações climáticas, um estudo recente da revista Nature mostra que quando mais uma cidade pensar na boa mobilidade dos peões, em prejuízo do automóvel, menos obesidade há, de forma transversal nos extractos sociais. A obesidade e o sedentarismo são dois dos maiores problemas de saúde mundial, sendo o último responsável por mais de 5 milhões de mortes por ano.

É uma obrigação dos estados e da saúde pública fomentar cidades que acolhem os peões, com menos esperas nos semáforos, menos vias rápidas, menos estacionamento, passeios mais largos e travessias mais seguras para os grupos mais indefesos.

Daqui surge a ideia da partilha e a mudança e mentalidades. Uma cidade que aposta na mobilidade activa e nos transportes públicos é uma cidade mais competitiva e oferece melhor espaço para viver, trabalhar e visitar.

Quem está em Lisboa tem aderido bem aos novos sistemas que apresentam inúmeras vantagens. A prova é que a grande alface venceu recentemente o Prémio de Capital Verde Europeia 2020.

Para pensar:

Mais Liberdade

Qualquer pessoa em férias ou fim-de-semana fora sente que precisa de mobilidade e liberdade a todo o momento. Mas na cidade e nas rotinas do dia-a-dia é diferente. Dando o desconto de algumas profissões e situações particulares, não ter carro pode dar-nos um sentimento de leveza e de maior pertença a um bairro e uma cidade. Não há preocupação com trânsito, com estacionamento, com EMEL ou multas.

Menos Voltas

Há muitos condutores que argumentam que, tendo carro sempre, tentavam fazer tudo. Mas a verdade é que um instante para resolver um assunto constantemente se prolonga – frequentemente origina correrias, atrasos, desespero no trânsito e arrependimentos. Sem carro, as pessoas são obrigadas a simplificar assuntos que não são urgentes.

Menos Consumo

Com menos voltas evitam-me alguns gastos. Os centros comerciais e grandes superfícies ficam logo mais distantes. Há uma maior tendência para fazer compras online ou perto de casa, o que como se sabe contribui para a economia local e poupa tempo e dinheiro (não compra o que não precisa). O ter de programar a deslocação para compras, leva a que verifique o que há em casa, procurar alternativas mais simples e pensar 2 vezes antes de gastar.

Menos Poluição

O efeito é bastante evidente, mas muitos condutores, informados e conscientes das questões ambientais, afirmam que isso os faz sentir melhor. As opções mais ecológicas nos carros ainda são um negócio que não está ao alcance de qualquer bolsa.

Mais Tempo

Dentro de certos percursos e dependendo da hora do dia e até da meteorologia e dificuldade de estacionamento, fica muitíssimo mais rápido ir de metro ou até a pé, por exemplo. Claro que outras vezes é o oposto, basta não haver bons transportes e ligações entre eles ou zonas com muita inclinação ou sem caminhos pedonais. Mas se gasta mais tempo no caminho, a viagem pode e deve ser usada para organizar a agenda, fazer telefonemas ou até ler ou ouvir música e fazer um esforço para desligar a cabeça. Por incrível que pareça, chegará mais leve a casa e terá mais tempo para o que importa. Sem carro, muitos condutores que já optaram por deixá-lo no dia-a-dia, argumentam que vivem mais devagar, com mais calma, sem que com isso sintam estar a roubar tempo para o essencial.

Mais ar e saúde

Uma percentagem altíssima de pessoas em idade activa passa a maioria do tempo de trabalho sentada a uma secretária, em frente a um computador. Se antes e depois das 8 horas mínimas de trabalho – que muitas vezes são mais, admitamos! – ainda lhe resta mais uma hora sentado no carro de manhã e ao fim da tarde, a quantidade de tempo que passa fechado e sem se mexer é preocupante. O fim-de-semana não chega para compensar. Sem carro é inevitável andar mais a pé, mesmo que seja só o caminho para o transporte. O corpo mexe-se e a cabeça areja.

Quando faz falta

Seria absurdo dizer que o carro não faz falta nenhuma. A solução de não o ter nas cidades não é perfeita, dado que a rede de transportes públicos está longe de ser eficaz nalgumas zonas. Estas soluções podem servir de complemento à oferta pública. Mas para experimentar mudar, para além das opções de bicicleta ou mota eléctricas, que ajudam o dia-a-dia com pouco esforço e preços acessíveis, as opções de boleia, empréstimo e aluguer ocasional respondem às situações em que é mesmo necessário. Se fizer as contas ao aluguer de que precisa quando tem de ir ao supermercado fazer compras mais volumosas, por exemplo, vai ver que compensa. O preço da prestação do carro, seguro, selo, mecânico e parquímetros tem um peso demasiado grande para o orçamento médio das famílias portuguesas. Se tem filhos, saiba que também é mais saudável terem escolas próximo da residência e poder deslocar-se com eles a pé, fazer pequenos percursos de transportes públicos ou até de bicicleta. Crianças pequenas estarem mais de meia hora fechadas num transporte, não será adequado. É preciso combater o sedentarismo também na infância.

Soluções e Contas:

Três em cada quatro europeus consideram que a boleia e a partilha de automóvel deverão massificar-se no prazo de uma década. Imagina-se um futuro em que o automóvel passará a ser um serviço – e não exclusivamente um bem do qual se é proprietário. Aqui apresentamos apenas algumas soluções, das várias já disponíveis em Portugal.

Bicicleta:

Gira
A aplicação é um projecto lançado pela Câmara Municipal de Lisboa - tem mais de 450 
bicicletas,clássicas e eléctricas, para partilhar e mais de 60 docas de estacionamento. 
O passe diário custa dois euros (mas tem associado uma caução de 300 euros e pode ser 
pago com Pay Pall ou cartão de crédito), o mensal fica a 15 e o anual 25 (não exige 
caução e pode pagar por cartões de débito, crédito, Pay Pall ou ePark [cartão 
estacionamento EMEL]). Tem que descarregar a App para o telemóvel. Por agora são 
oferecidos, para experimentar, os primeiros 45 minutos, nas bicicletas com ou sem 
assistência eléctrica. Prevê-se que a rede de bicicletas partilhadas, quando estiver 
concluída, conte com 140 estações e 1.410 bicicletas. Das 140 estações, 92 ficarão 
localizadas no planalto central da cidade, 27 na baixa e frente ribeirinha, 15 no 
Parque das Nações e seis no eixo entre as avenidas Fontes Pereira de Melo 
e da Liberdade.
Biklio
Esta aplicação móvel recompensa os utilizadores com descontos nos estabelecimentos 
associados. Basta instalar a aplicação, activá-la antes de começar a pedalar e 
dirigir-se a um spot Biklio para ter um “benefício”: uma bola de gelado extra, um café 
gratuito ou desconto em algum artigo, por exemplo. A App já está em Lisboa, Braga e 
Torres Vedras. Está também em Itália, Suécia, Luxemburgo, Bulgária,Reino Unido e Holanda.

Mota:

eCooltra
O serviço, com 200 mil utilizadores na Europa, permite partilhar scooters elétricas na 
cidade. Por 24 cêntimos ao minuto, as motos incluem seguro, dois capacetes e facilidade 
de estacionamento. A empresa de partilha de scooters que foi lançada originalmente em 
Barcelona, Lisboa, Madrid e Roma. O serviço conta com 170 veículos espalhados pela 
capital portuguesa, e terá 300 até fim do ano. A forma de utilização é simples, através 
da App da empresa. Não existem passes, nem docas - pode-se estacionar em qualquer lugar 
autorizado, desde que dentro da zona de operação da empresa. O custo, taxado ao minuto, 
é debitado no cartão indicado previamente (débito ou crédito), como numa viagem na Uber, 
por exemplo.

Carro:

Drive Now
Esta aplicação oferece um serviço que, por 29 ou 31 cêntimos minuto, inclui 
estacionamento gratuito dentro da área de cobertura (sem tickets), seguro e 
combustível no carro (pode reabastecer/ recarregar sem custos adicionais). 
O utilizador gasta depois um pouco mais na hora da procura de lugar(dependendo 
da zona onde esteja e do horário) mas, contas feitas, comprar um carro na 
cidade exige custos maiores. Há diferentes tipologias de carros (BMW e Mini) 
para necessidades distintas. Há também pacotes de poupança de minutos 
(300 minutos, 80 euros; 500 minutos, 125 euros). Neste e noutros serviços 
semelhantes verifique sempre a zona coberta, porque há vários em fase de expansão 
que ainda não cobrem toda a cidade, nem os arredores. Ao início quando se regista 
tem 30 minutos de bónus. É importante antes de usar qualquer App deste género ler as 
FAQ (perguntas frequentes) que estão no site. Há pequenos pormenores que deve saber,
em caso de avaria, acidente, etc - e evita surpresas.
Emov
A cobrar 21 cêntimos minuto, é a nova aplicação que promete 0% de emissões de carbono 
e que conta com 150 carros eléctricos, os Citroën C-Zero. Isto depois de Madrid ter sido 
a primeira cidade onde a Emov se lançou na partilha de carro na modalidade free floating 
– o que quer dizer que os utilizadores podem aceder a qualquer veículo estacionado nas 
ruas através do smartphone. O serviço permite a possibilidade de deixar a viatura 
estacionada em áreas de estacionamento reguladas, dentro do perímetro de utilização do 
serviço, sem pagar. Há um pacote diário de 63€ que anuncia que, caso precise de carro 
mais do que 5 horas, pode aceder automaticamente a esta tarifa. O parqueamento no 
aeroporto na área da empresa custa 2 euros. Há depois pacotes de 100, 200 e 400 minutos, 
em que poupa 1, 4 e 12 euros, respectivamente.

Boleia:

Bla Bla Car
A imagem de uma pessoa de polegar esticado à beira da estrada ou de papel estendido 
é cada vez mais rara. Pedir boleia será cada vez mais necessário, pela defesa do 
ambiente e poupança de recursos, mas a tecnologia ajuda-nos a facilitar o processo e 
torná-lo mais seguro. Portugal tem já o primeiro site de boleias gerido por um município, 
em Guimarães. A Bla Bla Car é a maior das redes sociais de viagens de longa distância 
em carro partilhado, em Portugal desde 2012, com um sistema a funcionar em pleno em 22 
países. Os condutores que partilham boleias são avaliados e pode aceder às avaliações 
no site, para poder escolher melhor. Com o mesmo ponto de origem e destino, encontra 
preços distintos. É ver o que lhe convém mais, nomeadamente partilhar viagem com quem 
vive perto de si, sem ter de andar muito para se reunir com o condutor. Os pagamentos 
são feitos exclusivamente pela internet e há uma comissão pelo serviço. Como paga 
antecipadamente, tem direito a devolução do dinheiro, caso haja algum contratempo.
Boleia.net
É mais uma plataforma de partilha, esta nascida de uma start up portuguesa. Apostam 
nos percursos longos e nos mais curtos e diários também. A principal diferença para 
outras plataformas é que o pagamento é feito na hora entre os utilizadores e não via
internet, e a empresa não cobra nenhuma comissão pelo serviço. Pode falar com outros 
utilizadores via site, sem dar contactos pessoais. Há condutores com viagens recorrentes 
que não cobram o percurso, mas alternam com outro viajante habitual quem leva o carro, 
por exemplo. Este projecto oferece uma solução para empresas e colaboradores, o 
Empresas à Boleia.
Boleias Via Verde
Quem estiver à procura de boleia pode registar-se gratuitamente no site promovido 
pela Via Verde (boleias.viaverde.pt) e procurar condutores que vão para o mesmo 
destino. Quem quiser transportar alguém para dividir custos, pode também tentar 
encontrar interessados na viagem e indicar quantos lugares estão livres e o preço a 
cobrar por pessoa. Este tipo de partilha funciona de maneira semelhante neste tipo de 
plataforma: veja o perfil e apreciações aos condutores para garantir mais segurança. 
Não é preciso ter um identificador Via Verde para se registar no Via Verde Boleias – 
basta ter mais de 18 anos. Há pequenas vantagens para quem se registar na App, como, 
sendo condutor, receber 5€ em combustível na primeira viagem e até 3€ nas restantes. 
Sendo passageiro recebe 5€ em compras de supermercado (válido para as primeiras 1000 
viagens realizadas pela comunidade Boleias).

 

Sobre o autor

Gisela Marques

Gisela Marques é formada em comunicação social. Trabalhou sobretudo na imprensa escrita na área cultural, tendo passado pelos universos da edição e do audiovisual. Faz crítica especializada para a imprensa e escreve na Carteira sobre temáticas diversas, da Cultura às Finanças Pessoais.

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