Opinião

O ajustamento e a insustentabilidade da banca

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Written by A Carteira

Um ajustamento brutal e uma flexibilidade inesperada

O ajustamento foi muito violento e fomos dos poucos países que fizeram realmente um ajustamento forte. Das três vezes que o FMI esteve em Portugal – 1977, 1983 e 2011 – a situação repetiu-se: a generalidade das pessoas apertou o cinto, emigrou, adaptou-se, mudou de sector, faliram empresas e reabriram no dia seguinte com outro nome. A flexibilidade da economia portuguesa foi espantosa mais uma vez, e em muito pouco tempo conseguimos resolver o buraco enorme no total do país – um deficit de quase 10% do produto – que rapidamente se tornou um excedente. É um ajustamento muito rápido, o que demonstra que o nosso grande trunfo é a flexibilidade. Mas o nosso grande problema é que quando as coisas estão um pouco melhor, vamos descansar e achamos que está tudo bem.

Poupar no pior momento… e voltar a errar

É espantoso que a taxa de poupança em Portugal, que tinha descido e estava aos níveis de 5%, e no meio da crise, com tudo a correr mal, o grande desemprego, etc, duplicou, para 10% – o que, sendo ainda baixo (comparado com Alemanha, França, etc.), é espantoso. Como foi possível a população apertar o cinto e ainda poupar?

Assim que a economia começou a crescer, em 2013, a taxa de poupança começa a descer abruptamente e está agora a 3 ou 4%, abaixo do nível de início da crise. Afinal não perceberam nada… Quando as coisas aliviam, a atitude é a mesma. E sem poupança não é possível um país desenvolver-se. As perspectivas são dramáticas com outro elemento: a dívida está lá ainda…vem do passado. Vamos tentar crescer com empresas muito descapitalizadas, famílias muito endividadas e um Estado com a sexta maior dívida do mundo. E mais uma vez isto não é um problema…não se fala disto. A dívida é para se ir pagando…e é verdade. Não é o fim do mundo, mas temos de ter contenção. Não podemos é fingir que não é nada.

A insustentabilidade da banca

Tudo isto depois passa para dentro da banca, uma realidade onde não havia dificuldades até que a Troika se foi embora. Quando a Troika foi, começaram a desabar uns atrás dos outros. Mas os problemas continuam lá. A Caixa Geral de Depósitos, o Montepio, quase todos os bancos têm problemas graves. Claro que já foram ainda piores, mas não se trata de um crédito ou de novos empréstimos que se virassem para o lado produtivo. Continua a ser a banca a ganhar dinheiro com a especulação do imobiliário ou com o crédito ao consumo, que não dá sustentabilidade à banca durante muito tempo. Os sinais continuam a ser muito preocupantes.

 

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A Carteira

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