Finanças Poupança

Conta conjunta ou conta separada?

planear a vida financeira
Written by Gisela Marques

Quando junta a sua vida à vida de alguém, é preciso equacionar uma série de questões. Elencamos aqui as vantagens e desvantagens de uma conta conjunta. Pense a sua vida financeira comum, antes que sejam as finanças a forçá-lo a si a lidar com o que não quer.

A organização é fundamental para evitar problemas

Em matéria de economia comum, sobretudo se se trata de casais recentes, não há como escapar à ideia de que o romantismo foge, naturalmente, das decisões difíceis.

Mas se parar para reflectir um pouco além do mundo das emoções, percebe facilmente que um pequeno esforço de organização mental –  seguido de uma tomada de posição consciente – evita preocupações e desavenças futuras entre pessoas que partilham a vida e o dinheiro. O dinheiro é, queiramos ou não, um dos temas mais sensíveis entre casais e famílias em geral.

Não se esqueça de que vivemos flutuações ao longo do tempo e de que a mudança é inerente à vida. O que é hoje verdade, pode não ser amanhã. Filhos, casa, divórcio, doença ou morte alteram radicalmente as situações.

Cada caso é um caso, e por isso deve observar a sua situação particular atentamente. Se tem filhos ou pretende ter, se pretende comprar ou arrendar casa ou carro em conjunto, entre outras variáveis base da vida de um casal – nomeadamente aquelas que levam a maior parte do rendimento mensal.

Para pensar primeiro

  • Têm uma filosofia/ perfil de gestão de dinheiro semelhante?
  • Falam de dinheiro com naturalidade e concordam quase sempre?
  • Têm objectivos de aquisição de bens comuns?
  • Têm objectivos de poupança comuns?

Vantagens de uma conta conjunta

  • Poupar em comissões de conta: é verdade que uma conta onde são depositados os rendimentos dos dois terá um valor mais alto e poderá estar isenta de comissões;
  • Poupar em burocracia: um só extracto bancário e tudo concentrado facilita a vida e a organização. Não tem de haver transferências, decisões ou registos sobre quem paga o quê;
  • Melhor gestão: ajuda à organização e na melhor gestão da vida financeira, inclusive poupanças, etc.;
  • Confiança: a confiança entre o casal, transparência e responsabilidade partilhada são apanágio desta solução;
  • Prático em viagens: se um dos membros do casal viajar bastante, o outro pode rapidamente colocar dinheiro na conta em caso de necessidade;
  • Herança automática: em caso de morte do cônjuge, o dinheiro da conta conjunta é automaticamente do outro, sem complicações legais e burocráticas.

Regras para uma boa gestão financeira

Caso opte por juntar o bolo, siga boas regras para ser bem sucedido.

  1. Valor base: deve definir o valor mensal que irá depositar, ao calcular os salários dos dois, chegando a uma percentagem justa dos rendimentos de cada um;
  2. Valor para extras: deve decidir quanto podem levantar após o pagamento de todas as despesas fixas;
  3. Informação: comunicação e organização são fundamentais. É necessário informar o outro caso haja algum movimento excepcional na conta comum.

Desvantagens das contas conjuntas

Ter uma conta conjunta tem vantagens mas pode também ter inconvenientes que deve conhecer para evitar problemas:

  • Abdicar de privacidade: é inevitável que a outra pessoa saiba todas as despesas que são feitas e deve perceber se isso se adequa ao seu perfil;
  • Abdicar de independência: se tem a independência/controlo total sobre tudo há anos e tem dificuldade em abdicar disso, deve pensar duas vezes. Com uma conta conjunta, terá de se preocupar com as decisões financeiras do outro e pode não querer essa responsabilidade;
  • Sentimento de injustiça: por conta de rendimentos diferentes, por vezes há ressentimentos entre os casais. Deve pensar se gere bem esta situação;
  • Urgência: se tiver necessidade de um pagamento imediato não pode aceder à conta do outro, não podendo agilizar a situação. As transferências, nomeadamente interbancárias, demoram cerca entre 1 a 3 dias úteis;
  • Divórcio litigioso: caso haja discordâncias e faltas de comunicação graves, um dos membros pode sempre esvaziar a conta. Embora haja meios legais para recorrer, o risco existe;
  • Lista negra bancária: se um dos membros entrar em incumprimento de qualquer tipo e a conta ficar a descoberto, ambos os perfis bancários ficarão manchados, o que futuramente, e para novos créditos, pode prejudicá-los bastante;
  • Dívidas antigas: caso haja muitas dívidas e questões financeiras por resolver que um dos membros traga para a vida comum, isso deve ser equacionado, sob pena de pesar muito na conta conjunta.

Modalidades de conta conjunta

Existem 3 modalidades de contas conjuntas, cada qual com as suas características, direitos e deveres:

  • Conta conjunta: só pode ser movimentada com o aval de todos os titulares – mais seguras, menos práticas;
  • Conta solidária: podem ser movimentadas por todos, sem autorização do outro – solução mais prática entre casais/economia comum;
  • Conta mista: combinam as opções anteriores, sendo os poderes de movimentação definidos na abertura.

Mistura de contas: uma boa solução de compromisso

Optar por ter 3 contas, duas separadas e uma conjunta, acaba por ser uma solução sensata, que pode ajudar a não criar atritos desnecessários. Na conta conjunta devem ser equilibrados e dar sempre retorno ao outro dos movimentos feitos, ainda que assumam que um gere melhor o dinheiro que o outro. Respeito e corresponsabilização são essenciais.

Muitos casais e pessoas em economia comum optam por uma espécie de terceira via, que é muitas vezes uma forma mais equilibrada de gerir as finanças e respeitar a liberdade individual, uma vez que nem todos temos personalidades semelhantes, os mesmos hábitos de gestão, nem o mesmo tipo de educação financeira.

Seja qual for a sua opção, equacione, com calma, todas as variáveis. Aquilo que parece evidente, nem sempre é: total transparência, comunicação e organização entre os dois titulares da conta. Caso queira e possa seguir a opção conjunta , lembre-se de que é como se passasse a ter uma pequena empresa familiar: deve estar preparado para a ideia de olhar para o rendimento como “o nosso dinheiro”.

E agora?

Tendo decidido o que pretende fazer deverá procurar a melhor conta bancária para o seu caso específico. Numa altura em que existem novos bancos a operar no mercado, poderá assumir uma estratégia de redução de custos que passe por cortar nas comissões bancárias. Pode também abrir ambas as contas no mesmo banco para evitar comissões bem como para tornar o processo mais eficiente e rápido. Neste contexto, sugerimos que consulte os nossos artigos sobre o melhor banco para a sua conta à ordem e para a conta ordenado.

Sobre o autor

Gisela Marques

Gisela Marques é formada em comunicação social. Trabalhou sobretudo na imprensa escrita na área cultural, tendo passado pelos universos da edição e do audiovisual. Faz crítica especializada para a imprensa e escreve na Carteira sobre temáticas diversas, da Cultura às Finanças Pessoais.

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