Poupança

Educação financeira dos filhos

crianças
Written by A Carteira

Somos da opinião de que, quando falamos de finanças pessoais, e particularmente de poupança, temos muito a aprender com os nossos filhos. De facto, tal como os hábitos de reciclagem entraram em Portugal por via das crianças, também os hábitos de poupança estão a entrar pelos mais pequenos.

Por outro lado, se queremos quebrar verdadeiramente o ciclo de sobre-endividamento, devemos começar por educar financeiramente os nossos filhos. Neste artigo, procuraremos passar algumas luzes que nos podem ajudar na hora de falar sobre dinheiro com as crianças.

Dizer que não

Se é verdade que é muito mais cómodo e fácil dizer “sim” a tudo, não é menos verdade que um “não”, dito no momento correcto e com critério, pode ser muito mais pedagógico de que muitos “sim”.

É natural que queiramos dar aos nossos filhos condições tão boas (ou melhores) que aquelas que nos foram dadas por nossos pais. Contudo, tal não quer dizer que tenhamos de dizer “sim” a tudo o que os nossos filhos nos pedem. Aliás, mais tarde, quando forem adultos e senhores das suas acções, os nossos filhos saberão discernir o que é correcto na vida, muito por influência dos valores que lhes fomos passando quando eram crianças.

Nas finanças pessoais, este critério assume crucial importância, pelo que aconselhamos o leitor a saber dizer “não” aos seus filhos, mesmo quando o seu coração de pai quereria dar um “sim”.

Falar sobre dinheiro em casa

Nas muitas formações que temos ministrado nos mais variados contextos, muitos são os pais que defendem que não falam sobre dinheiro com os seus filhos, por acharem que estes não têm idade para isso.

Na nossa opinião, defendemos que é importante conversar, desde cedo, com as nossas crianças sobre dinheiro ou, por outras palavras, sobre o lugar que o dinheiro deve ocupar nas nossas vidas. Claro que o devemos fazer com critério e sem passar ansiedade ou a falsa ideia de que estamos com dificuldade para garantir a nossos filhos uma vida cómoda e feliz.

Fale sobre dinheiro com os seus filhos. Passe-lhes os valores que quer que eles tenham quando, mais tarde, tiverem de gerir as suas vidas sem a sua ajuda. Ensine-lhes que o dinheiro, não sendo de longe o mais importante, deve ser gerido com critério e ponderação. Verá que os seus filhos, para além de compreenderem as mensagens que lhes quer passar, irão também eles ensinar-lhe qualquer coisa…

Muito critério nas decisões de consumo

De que queremos o maior bem para os nossos filhos, ninguém tem dúvidas. Contudo, tal como por vezes ter de dizer “NÃO” a algum dos seus pedidos, também o oferecer presentes deve ser feito com critério e aproveitado como instrumento de educação financeira.

Numa das nossas formações, um formando comentou que, quando algum dos seus netos faz anos, oferece presentes ao neto em questão e aos seus irmãos para estes “não ficarem tristes”. Outro formando dizia que dava um presente ao seu filho, sempre que este tinha uma boa nota num teste ou ajudava em determinada tarefa.

Não nos cabendo a nós fazer juízos de valor em relação a estes critérios, desafiamos o leitor a (re)pensar sobre os valores que vida que quer passar para os seus filhos. Pense que um presente, quando dado no momento certo, pode ter um efeito pedagógico duplamente superior ao de muitos presentes dados sem critério.

Conheça e constitua uma conta poupança

Com o despoletar da crise, o tema Poupança ganhou uma nova importância. De facto, hoje, são já muitos os portugueses que constituem contas poupança para os seus filhos, com o objectivo de lhes garantir um bom futuro.

Constituir uma conta poupança, para além de garantir maior liquidez para os seus filhos, pode ser utilizado como instrumento de educação financeira. Converse com os seus filhos sobre a importância de ter sonhos (ex.: faculdade, carta de condução, etc.) e de poupar com vista a concretizar esses sonhos. Explique-lhes que, poupando, para além de conseguirem concretizar os seus sonhos e de garantir um futuro melhor, irão conseguir ter um prémio (juros) como recompensa pelo seu esforço.

Quando estes temas são explicados de forma simples – recorrendo eventualmente a exemplos ou a jogos típicos da sua idade – as crianças apreenderão valores que assumirão crucial importância no seu futuro.

Envolva os seus filhos no seu esforço

Tal como falar sobre dinheiro deve ser feito desde cedo, também envolver as crianças no esforço financeiro da família pode ser importante. Uma vez mais, defendemos que isso deverá ser feito com critério e sem passar insegurança para os seus filhos.

Um outro formando que tivemos o gosto de ter numa das nossas formações, disse-nos que analisa as facturas da água com os seus filhos. Esta prática, que para muitos pode ser vista como desnecessária, pode ter um valor pedagógico enorme por passar aos mais novos a noção real do custo dos bens que utilizam.

Por outro lado, este nosso formando utilizava este momento para lançar pequenos objectivos aos seus filhos, levando-os a mudarem alguns hábitos para que a próxima factura fosse mais reduzida. São precisamente “jogos” como este que podem ser utilizados pelo leitor, para introduzir os seus filhos no mundo das finanças pessoais.

Utilize os mealheiros

O famoso porquinho mealheiro, é talvez o instrumento de poupança de que as crianças mais gostam. Engana-se o leitor que pensa que aquilo que a criança mais valoriza é a quantidade de dinheiro que tem amealhado. Do que a criança verdadeiramente gosta é do peso do mealheiro e do barulho das moedas fazem no seu interior.

Pode ser pedagógico oferecer ao seu filho mais do que um mealheiro, precisamente para que a criança possa ter mais do que um objectivo. Verá que o seu filho começará a poupar com critério, colocando as moedas no mealheiro respectivo, consoante o sonho que pretende concretizar.

Uma prova evidente do valor que o seu filho dá ao dinheiro que amealhou, nota-se na hora de comprar determinado brinquedo. Da próxima vez que o seu filho lhe pedir alguma goma, por exemplo, diga-lhe para comprar com o dinheiro do “porquinho mealheiro”… verá que, na maioria dos casos, o seu filho deixará de querer aquele bem!

Leve o seu filho às compras

Somos da opinião de que a visita ao supermercado pode igualmente ser utilizado de forma pedagógica, na hora de educar financeiramente os mais novos.

Talvez a maioria dos portugueses opte por não levar os seus filhos quando vai às comprar (é o mais cómodo, não perturba os restantes clientes e evita birras). Contudo, existem enormes vantagens em levar as crianças, pois esse pode ser um momento importante para lhes passar alguns valores, como o custo dos bens que utilizam. Por outro lado, pode aproveitar estes momentos em família para fazer jogos com os seus filhos, levando-os, por exemplo, a procurar os produtos mais baratos da lista!

Em resumo

Ao longo deste artigo, procurámos explicar como, de forma simples e divertida, podemos envolver os nossos filhos na vida financeira da família, passando-lhes valores de vida fundamentais. Desafiamos o leitor a aplicar alguma destas ideias, não passando insegurança aos seus filhos, mas sensibilizando-os para o lugar que o dinheiro deve ter nas suas vidas!

Sobre o autor

A Carteira

A Carteira é constituída por uma equipa de profissionais com muita experiência no setor financeiro. A nossa missão é ajudar as famílias a ter uma melhor relação com o dinheiro. Acreditamos que é possível poupar dinheiro, investir tempo e dinheiro na melhoria das nossas condições de vida. E estamos cá para ajudar com os conteúdos para que possa tomar as melhores decisões financeiras.

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