Poupança

Orçamento Familiar E Poupança

finanças familiares
Written by A Carteira

Com o despoletar da crise, muitas foram as famílias que começaram a passar por sérias dificuldades financeiras, tendo que reajustar os seus padrões e estilos de vida. É certo que a crise teve aspetos muito negativos, mas não é menos certo de que veio trazer alguns benefícios.

Como podemos estar a falar de poupança?

Quando falamos de poupança, a primeira reação é quase certa: como conseguir poupar, se o nosso ordenado mal chega para viver até ao final do mês?

Não deixa, contudo, de ser curioso que as famílias que têm maior hábito de poupança, são muitas vezes aqueles que vivem com ordenados mais reduzidos e que, como tal, tiveram que reajustar mais cedo os seus hábitos de consumo. Por seu turno, as famílias com vencimentos mais elevados, acabam por ser aquelas que mais facilmente recorrem ao crédito, caindo em situações de sufoco e sobre-endividamento.

O que devemos fazer, então, para caminhar no sentido da nossa independência financeira? Neste artigo, falaremos um pouco acerca do Orçamento Familiar, como principal ferramenta de poupança.

Primeiro passo – Diagnóstico ao Orçamento Familiar

Tal como quando estamos doentes vamos ao médico, para saber do que padecemos e saber qual o caminho da cura, também se passa algo idêntico com a nossa saúde financeira. De facto, se queremos ser financeiramente independentes, o primeiro passo passa por identificar a nossa situação actual, pois só sabendo “onde estamos” é que conseguimos desenhar caminhos e estratégias para chegar ao nosso objectivo.

Neste aspecto, o Orçamento Familiar assume-se como a mais poderosa ferramenta de diagnóstico. Com o desenho de um rigoroso Orçamento Familiar, conseguimos conhecer a fundo a nossa situação actual, o que nos permite identificar aquelas gorduras que são passíveis de redução.

As receitas são a base do seu Orçamento Familiar

Muitas são as famílias que, quando questionadas acerca de fazerem (ou não) Orçamento Familiar, respondem afirmativamente. Contudo, quando aprofundamos o tema, percebemos que estas famílias, para além de não o fazerem por escrito, apenas têm uma ideia arredondada das despesas que terão ao longo do mês.

A este respeito, é importante referir que um Orçamento Familiar, não pode ser feito de cabeça, pois, quando o fazemos, não temos uma visão verdadeiramente impactante da nossa situação actual. Por outro lado, para ser rigoroso e proveitoso, o Orçamento Familiar não admite arredondamentos.

Tomada a decisão de assumir as rédeas da nossa vida financeira, através da construção do nosso Orçamento Familiar, é importante saber por onde começar. Aqui, defendemos que o Orçamento deve sempre partir das Receitas e nunca das Despesas, pois quando nos baseamos nas despesas, é grande a probabilidade de cairmos no descontrolo financeiro.

Assim, o primeiro passo passa por identificar TODAS as receitas que temos ao longo do mês, por muito residuais e insignificantes que possam parecer (vencimento líquido, subsídios, abonos, vales de refeição, prémios, juros, etc.). Só identificando previamente todas estas receitas, é que somos verdadeiramente senhores do destino que damos ao nosso dinheiro, pois no inverso não as despesas que nos “consomem”, parecendo que o dinheiro tem a propriedade mágica de “voar da nossa carteira”.

A poupança deve ser a primeira despesa – Pagar Primeiro A Nós!

Identificadas as Receitas, importa agora identificar TODAS as Despesas, por muito insignificantes que possam parecer. Se não formos rigorosos neste aspeto, corremos o risco de não conseguir identificar aqueles “gorduras” passíveis de redução em momentos de maior sufoco financeiro.

A este respeito, defendemos que devemos assumir a Poupança como a primeira de todas as nossas despesas. Não podemos esperar pelo final do mês para ver se sobra algum dinheiro que possamos por de parte, pois isso raramente acontecerá. De facto, quando falamos de finanças pessoais, temos que ser “egoístas” e pensar primeiro em nós próprios, na hora de definir o destino que damos ao nosso dinheiro. Aqui, ajuda muito encarar a Poupança como um “pagamento a nós próprios”, como recompensa pelo esforço do nosso trabalho.

O importante não é poupar valores avultados todos os meses, mas sim criar o hábito de poupar todos os meses. Se ajudar, podemos utilizar a lógica dos 3 Ps: Pouco, Possível e Progressivo. Se começarmos, hoje mesmo, a poupar um pouco todos os meses, o mais certo é conseguirmos enraizar esta prática de olhar para a Poupança como uma Despesa, tão ou mais importante que as restantes despesas mensais.

As despesas essenciais e o desperdício

Após olharmos para a Poupança como primeira de todas as despesas, torna-se importante identificar as restantes despesas que termos ao longo do mês. A este respeito, reforçamos a ideia inicial de que as despesas devem estar alinhadas com as nossas receitas, para não corrermos o risco de cair em situações de descontrolo financeiro, que tantas vezes levam ao sobre-endividamento das famílias.

Quando falamos de Despesas, podemos categorizá-las em Despesas Essenciais e Despesas de Desperdício. Longe de se procurar uma conotação negativa entre estas duas conceções, o objetivo passa apenas por destrinçar as despesas que são essenciais à vida daquelas que são passíveis de redução.

Assim, se por um lado temos despesas que em momento algum podemos cortar (ex.: renda, saúde, alimentação, água, luz, gás, etc.), por serem essenciais à vida, por outro lado, existem despesas – de desperdício – que podem ser aliviadas se necessário (ex.: telecomunicações, seguro do carro, seguro de saúde). Uma vez mais, reforçamos que a distinção entre despesas essenciais e de desperdício, longe de procurar fazer juízos de valor, apenas visa ajudar-nos a priorizar as nossas tendências de consumo e poupança.

Comece a poupar dinheiro!

Depois de fazer o seu orçamento familiar está em condições de se questionar e de começar a adaptar alguns hábitos de vida para que consiga poupar dinheiro todos os meses. Não é tarefa fácil mas com alguma probabilidade será possível. Os benefícios de segurança financeira (no início) e liberdade financeira (passados alguns anos) serão todos seus. Nunca se esqueça que dinheiro poupado é dinheiro que rende juros, sobre juros e sobre juros.

Sobre o autor

A Carteira

A Carteira é constituída por uma equipa de profissionais com muita experiência no setor financeiro. A nossa missão é ajudar as famílias a ter uma melhor relação com o dinheiro. Acreditamos que é possível poupar dinheiro, investir tempo e dinheiro na melhoria das nossas condições de vida. E estamos cá para ajudar com os conteúdos para que possa tomar as melhores decisões financeiras.

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