Poupança

Porque poupamos tão pouco para a reforma?

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Written by A Carteira

Numa altura em que se fala (ainda) dos problemas da sustentabilidade do sistema público de pensões é importante que nos questionemos dos motivos pelos quais não somos capazes de poupar para a reforma. A resposta pode ser evidente mas a economia comportamental dá-nos uma resposta completamente diferente.

Será que não conseguimos poupar dinheiro?

A resposta mais imediata à pergunta porque poupamos tão pouco para a reforma é porque não conseguimos poupar dinheiro. Conseguimos gastar dinheiro todos os meses a almoçar fora (porque não conseguimos ou não queremos levar comida de casa). Conseguimos gastar rios de dinheiro nas compras de Natal. Conseguimos endividar-nos para comprar novos automóveis, mas não conseguimos juntar alguns euros no final de cada mês para poupar dinheiro?

É certo que fomos agressivos mas foi esse o objetivo. Quisemos chamar a atenção para algo muito simples. Enquanto seres humanos usamos de muitas desculpas para justificar algo que poderia ser muito simples, se fossemos sinceros e frontais. Muitas vezes, maioria das vezes, não poupamos dinheiro porque não queremos. Outras vezes, menos, porque não sabemos como. Muito poucas vezes (mas acontece) porque é impossível poupar.

Será que vamos ter reformas?

Para conseguirmos poupar para a reforma temos antes de ganhar a consciência do motivo pelo qual devemos poupar. Quem fala da reforma pode falar da poupança de longo prazo. Mas para o caso, temos de considerar que não podemos depositar a esperança do nosso conforto na reforma no Estado. Sim, teremos algum valor na reforma. No entanto, todos os estudos feitos até ao momento apontam para que esse valor não seja suficiente para manter o mesmo estilo de vida. O que significa que temos de poupar.

Porque não queremos poupar para a reforma?

Talvez a pergunta tenha sido mal formulada. Não sabemos até que ponto é que o verbo seja querer. Talvez ainda tenhamos a vaga esperança que as coisas se endireitem ou que por algum motivo a nossa vida se altere ao ponto de não precisarmos de poupar. O certo é que mesmo que consideremos a poupança para a reforma uma prioridade, enfrentamos alguns problemas:

  • Distância no tempo – Para muitos de nós a reforma é um acontecimento muito distante no tempo. Para alguns acontecerá dentro de 30, 20 ou mesmo 10 anos. Apesar do tempo passar muito depressa, achamos sempre que no futuro iremos ter mais possibilidades para poupar. No futuro iremos ter mais dinheiro. No futuro iremos ter menos custos. No futuro não estaremos em crise. No futuro… no futuro. E depois o futuro chega.
  • Montante – Muitas vezes é mais fácil colocar de parte algumas centenas ou mesmo milhares de euros do que fazer pequenas entregas periódicas para uma aplicação financeira. Digo mais fácil em termos psicológicos pois existe uma grande tentação, documentada por vários académicos, de pensarmos que a nossa poupança mensal é de um valor potencialmente tão reduzido face ao objetivo que desistimos. Achamos simplesmente que não é possível. Desmotivamos. E acabamos por gastar o dinheiro. Mais uma vez, uma desculpa para termos pena de nós próprios.

Por onde começar a poupar para a reforma?

É fundamental poupar para o longo prazo. Poupar para emergências. Poupar dinheiro para atingir objetivos de valor financeiro mais avultado. Poupar para conseguirmos viver confortavelmente e com mais liberdade de pensamento (ter escassez acaba por limitar-nos bastante, mesmo em termos racionais).

Se quiser uma motivação, sugerimos que se imagine no momento da reforma com boas capacidades financeiras para fazer aquilo que sempre quis. Ou que se imagine a concretizar um sonho de há muito tempo. De seguida, pense em seguir as etapas seguintes:

  • Comece já hoje – Comece a poupar já hoje. Entre no seu homebanking e faça um depósito a prazo ou constitua um programa de entregas programadas. Assim vence a inércia e coloca a bola a rolar. Mesmo que poupe apenas alguns euros. O importante é começar;
  • Entregas programadas – Defina um programa de entregas programadas para uma conta poupança segregada da sua conta do dia-a-dia. Neste contexto, sugerimos produtos que sejam fiscalmente mais interessantes como sendo os PPR ou os seguros de capitalização;
  • Pense no longo prazo – Pense sempre que se poupar com regularidade e um valor que seja exigente (mas possível) irá beneficiar do efeito dos juros compostos. Pensar no longo prazo dá-nos outro contexto pois percebemos que acumulamos mais dinheiro (uma despesa mensal de €30 são €360 ao final de 1 ano) e temos uma paz de espírito renovada pois sabemos que estamos protegidos contra eventualidades.
  • Assuma algum risco – A palavra risco tem uma conotação negativa. Mas nos mercados financeiros o risco é algo bom pois se for bem gerido permite que consigamos atingir níveis de retorno mais interessantes. E se tivermos mais retorno, vamos poupar mais dinheiro. E vamos conseguir mais facilmente atingir os nossos objetivos.

Parece fácil? Não é fácil porque as tentações de curto prazo são muito grandes. Mesmo que tenhamos grandes objetivos e grandes resoluções para o longo prazo acabamos sempre por ser tiranizados pelo curto prazo. É no dia-a-dia, quando as decisões são tomadas, que temos de ter o autocontrolo necessário para fazer o que é correto. E isso passa, maioria das vezes, por assumir que as nossas ações importam e por fugir das tentações. No campo da poupança, passa por sair de jogo e assumir um programa de entregas programadas onde não temos qualquer influência!

Sobre o autor

A Carteira

A Carteira é constituída por uma equipa de profissionais com muita experiência no setor financeiro. A nossa missão é ajudar as famílias a ter uma melhor relação com o dinheiro. Acreditamos que é possível poupar dinheiro, investir tempo e dinheiro na melhoria das nossas condições de vida. E estamos cá para ajudar com os conteúdos para que possa tomar as melhores decisões financeiras.

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