Empreendedorismo Opinião

O que os miúdos de agora podem (ou devem) trazer a uma empresa

Written by Timóteo Caixeiro

Um jovem que seja bem formado, ambicioso (às vezes demais) e confiante chega ao trabalho, certo de duas coisas: que está na corda bamba e que pensa de maneira diferente dos outros. E o problema é precisamente esse: a contemporaneidade destas condições. Estivesse ele na corda bamba mas pensasse como os outros e, em princípio, se tudo fizesse bem (ou nada fizesse mal), não correria perigo. E pensasse ele de maneira diferente mas não estivesse numa situação profissional tremida, e estaria também à partida seguro.

O problema é a incerteza interior do recém-chegado aliada à incerteza que nele depositam. É o cortar das asas feito à partida e de ambos os lados. Ninguém quer arriscar e é por isso que muitas vezes tudo fica morno. Confortável, possivelmente estável, mas morno.

E é aqui que é importante fazer uma grande distinção. No momento da recruta, o que se procura é uma peça sobresselente, semelhante às outras do escritório, que está a ser preparada (quase) unicamente para quando as mais velhas falharem? Ou é uma peça de nova geração que pode agitar o motor da empresa? A escolha é sua e difere de negócio para negócio, mas uma coisa é certa: há muitos mais miúdos “robôs” prontos a seguir instruções do que miúdos prontos a revolucioná-las. Se lhe chegar às mãos um destes últimos, por favor não os automatize, que não existem muitos.

“Sangue na guelra.” É aquilo que esses miúdos explosivos trazem quando chegam ao escritório. Ou pelo menos aquilo que se quer que tragam. No mínimo, aquilo que se devia querer.

Se bem que a verdade é que geralmente chegam verdes, muitas vezes até acabados de vir orgulhosos de cursos que nada lhes ensinaram profissionalmente. E com uma soberba que se soubessem do mundo, também sabiam que não devia lá estar. Mas é isso que podem trazer de novo a uma empresa. É isso que podem ensinar.

A ingenuidade de não ter coibições, de não fazer grandes autocensuras e de confiar nas loucuras que querem apresentar ou fazer. E – para além de tudo isso – uma grande mais-valia: conhecimento próprio do mercado que se vai renovar. Dos jovens, das novas gerações, das suas tendências e modas. Dos seus gostos parvos e improváveis escolhas.

Estes miúdos não passam de ingénuos e confiantes vencedores que ainda nada ganharam. Mas que facilmente podem vir a passar.

Sobre o autor

Timóteo Caixeiro

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