O crédito tem sido disseminado ao longo dos últimos anos. Cada vez mais pessoas têm acesso ao crédito por diversas vias e chega-se mesmo a pensar no crédito como algo natural no nosso dia-a-dia. No entanto, como escolher entre usar o cartão de débito ou o cartão de crédito?
Características do cartão de débito
O cartão de débito é um simples cartão com um número, uma banda magnética e um código PIN de 4 dígitos que permite aceder instantaneamente à nossa conta bancária. As suas funcionalidades são simples e conhecidas da maioria das pessoas:
- Fazer levantamentos numa caixa multibanco;
- Fazer compras e pagamento de serviços;
- Transferir dinheiro;
- Consultar movimentos e saldos.
O cartão de débito costuma ter associada uma comissão anual que poderíamos ser tentados a pensar que serviria para suprir o custo do cartão mas que mais não é do que uma forma adicional dos bancos nos cobrarem comissões (que rondam atualmente os €15-€20 por ano, dependendo dos bancos).
Características do cartão de crédito
Talvez por uma questão cultural tendamos a desconsiderar os cartões de crédito e esquecer-nos que estes cartões permitem todas as valências que apontamos anteriormente aos cartões de débito e mais algumas. Sim, os cartões de crédito são ferramentas mais completas do que os cartões de débito. Podemos dizer que têm bastantes mais vantagens que importa conhecer, nomeadamente:
- Centralização do pagamento das compras num único dia do mês;
- Possibilidade de ter acesso a crédito sem juros (se pagarmos tudo a 100%);
- Outras vantagens associadas, como programas de milhas ou ofertas muito interessantes;
- Seguros associados gratuitos;
- Possibilidade de isenção de comissão anual (muitos cartões são já isentos desta comissão por defeito).
Porque tendemos a não gostar do cartão de crédito?
Muitas famílias têm o cartão de crédito apenas por imposição do seu banco no momento da contratação do crédito habitação. Para permitir o acesso a uma bonificação no spread (atenção que são já vários os bancos que permitem “fugir” a este cross-selling) os bancos solicitam a contratação de alguns produtos como sendo:
- Cartão de crédito;
- Seguro de vida do crédito habitação;
- Seguro multirriscos;
- Subscrição de um PPR ou de outro produto de poupança;
- Domiciliação de pagamentos (o objetivo é que o cliente passe a fazer os seus gastos do dia-a-dia nesta conta).
É muito interessante que tendemos a olhar para o cartão de crédito como algo facilitador do consumo mas olhamos para o endividamento neste cartão com muito maus olhos. Talvez seja mesmo por este fator. Acabamos por nos arrepender de fazer as compras e culpamos o cartão de crédito por isso. No final de contas sobreestimamos a nossa capacidade para pagar a dívida a 100% (para evitar o pagamento de juros) e pagamos as taxas mais elevadas do mercado.
O cartão de débito é usado como mecanismo de controlo
Tendo em conta as vantagens evidentes do cartão de crédito face ao cartão de débito deverão existir certamente motivos que nos levam todos a preferir utilizar o cartão de débito para as nossas transações do dia-a-dia. Podemos destacar:
- Aversão à dívida – Somos avessos à divida, o que significa que devemos preferir pagar as nossas compras antes de consumir, não acumulando uma dívida para pagamento futuro;
- Controlo – É mais difícil controlar os movimentos do cartão de crédito pois teremos de consultar o nosso homebanking ou outro aplicativo equivalente. Este maior descontrolo pode induzir mais dívida, que depois se torna difícil (ou mesmo impossível) de eliminar.
Na prática, parece-nos que o principal motivo é mesmo o facto do cartão de débito ser um mecanismo de autocontrolo mas que acaba por ter um custo acrescido (comissões, perda de vantagens, menos seguros). Para a maioria das famílias faz sentido contratar o sistema de pagamento à vista do cartão de débito. Mas aí torna-se mais difícil de perceber a opção pelo endividamento por via da conta ordenado. Nunca nos esqueçamos que são poucas as coisas na vida que são boas ou más à partida. O que torna um cartão de crédito algo errado é a má utilização que lhe podemos dar.

